Método

Morando sozinho pela primeira vez.

Morar sozinho tem custos que pouca gente comenta: além do aluguel, vêm as contas, a montagem da casa e a garantia do contrato. Um guia em quatro passos pra se preparar ou pra organizar depois da mudança.

Bruno Carneiro

Por Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

13 de agosto de 20268 min de leituraMétodo

Morar sozinho pela primeira vez é uma conquista, e também vem com custos que pouca gente comenta. O aluguel é só o começo. Tem condomínio, contas, mercado e uma lista grande de coisas pra comprar no início. Saber disso antes deixa a mudança bem mais leve.

Esse texto é pra quem está planejando sair de casa, dividir um lugar ou acabou de se mudar. Nem sempre dá pra escolher o momento, e tudo bem: o que está aqui serve tanto pra se preparar com antecedência quanto pra organizar as coisas depois da mudança. São quatro passos, mais uma explicação sobre os tipos de garantia do aluguel. Os valores são exemplos, e os seus vão ser outros.

Passo 1: a conta do mês inteiro.

Antes de fechar um contrato, ajuda somar tudo que o lugar vai custar por mês, e não só o aluguel. Um exemplo de como a soma cresce:

Exemplo de custo mensal de um apartamento pequeno

  • Aluguel

    R$ 1.200

  • Condomínio

    Nem todo imóvel tem

    R$ 350

  • IPTU mensal

    Divida a cota anual por 12

    R$ 60

  • Luz e água

    R$ 200

  • Gás

    Botijão ou encanado

    R$ 70

  • Internet

    R$ 100

  • Mercado

    Uma pessoa, cozinhando em casa

    R$ 600

  • Transporte

    R$ 250

Neste exemplo, um aluguel de R$ 1.200 vira R$ 2.830 por mês. Uma referência bastante usada é que moradia e contas básicas fiquem perto de metade do que você recebe, mas em muitas cidades isso não é possível, e aí a conta serve pra saber onde vai apertar.

Se o total ficar pesado, existem ajustes: um bairro mais em conta, um imóvel sem condomínio, dividir com alguém. Fazer a conta antes serve pra escolher com os números na mão.

Passo 2: uma folga pros primeiros meses.

Os primeiros meses costumam ter imprevistos: um conserto, uma conta que veio mais alta, um mês de trabalho mais fraco. Ter guardado o equivalente a alguns meses de aluguel e condomínio dá tranquilidade pra passar por isso sem atrasar pagamento.

Três meses é uma boa meta. No exemplo acima, seriam R$ 4.650. Se não der pra juntar tudo antes, um mês já ajuda, e você completa aos poucos. O ideal é deixar num lugar de resgate rápido, como Tesouro Selic, CDB de liquidez diária ou a caixinha do seu banco.

Passo 3: o que a casa precisa pra funcionar.

Essa é a parte que mais surpreende. Cama, colchão, geladeira, fogão, panelas, pratos, talheres, cortina, vassoura, botijão. Sozinho, nada disso parece muito. Junto, pesa.

Dá pra reduzir bastante esse custo. Comprar usado em sites de desapego e grupos do bairro, aceitar doação de parentes e amigos e pegar móvel emprestado por um tempo são saídas comuns. Também ajuda separar o que é necessário no primeiro dia (onde dormir, onde guardar comida, como cozinhar) do que pode chegar ao longo dos meses. Montar a casa aos poucos alivia o orçamento do começo.

A garantia do aluguel.

A imobiliária ou o proprietário vai pedir uma garantia. As três mais comuns funcionam de jeitos diferentes, e a melhor depende de quanto dinheiro você tem disponível e de ter ou não alguém que possa ser fiador.

Seguro-fiança.

Você paga um valor mensal ou anual a uma seguradora, que garante o aluguel pro proprietário. Não exige dinheiro parado nem fiador, mas é um custo que não volta. Passa por análise de cadastro, e vale cotar em mais de uma seguradora.

Fiador.

Não tem custo, mas depende de uma pessoa disposta a assumir a responsabilidade, e muitas imobiliárias pedem que ela tenha imóvel quitado. É a opção mais barata quando existe alguém de confiança nessa condição.

Caução.

Você deposita um valor, limitado por lei a três aluguéis, que fica guardado numa poupança durante o contrato e volta corrigido no final, se não houver pendências. Exige ter o dinheiro na entrada, mas ele continua sendo seu.

Passo 4: organizar o mês uma vez.

No primeiro mês, vale anotar todas as contas fixas com valor e data de vencimento: aluguel, condomínio, luz, água, gás, internet. Depois disso, o que muda de um mês pro outro é só o variável, como mercado, transporte e lazer.

Três pontos de atenção.

Onde a Fyn8 entra.

Na Fyn8 você lança cada conta fixa uma vez como recorrência, e ela aparece nos meses seguintes. No começo de cada mês, o extrato já traz o que é fixo, e falta só categorizar o que apareceu de novo. A revisão do mês leva uns dez minutos. Uma lista na porta da geladeira com as contas e as datas também resolve.

Os primeiros meses passam.

O começo de morar sozinho costuma ser o período mais caro, porque junta a montagem da casa com contas que você ainda está conhecendo. Depois de alguns meses os valores se estabilizam e o orçamento fica previsível.

Cada mudança acontece do jeito que dá, e não existe forma certa. Se quiser um primeiro passo, some o custo mensal completo do lugar que você está olhando, ou do lugar onde já mora. Esse número é a base pra todas as outras decisões.

Referências

  1. O Homem Mais Rico da Babilônia. George S. Clason, 1926.
  2. I Will Teach You to Be Rich. Ramit Sethi, 2009.
  3. Seu Dinheiro ou Sua Vida. Vicki Robin & Joe Dominguez, 1992.
  4. Como Organizar Sua Vida Financeira. Gustavo Cerbasi, 2012.
  5. Me Poupe!. Nathalia Arcuri, 2018.
  6. A Psicologia Financeira · Cap. Save Money. Morgan Housel, 2020.
  7. Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991), arts. 37 e 38. Presidência da República, 1991.

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Bruno Carneiro

Escrito por

Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

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