Método

Planejando o fim do ano.

O fim de ano tem quatro partes: 13º, presentes, viagem e as contas de janeiro (IPVA, IPTU, material escolar, seguro). Um guia pra organizar cada uma a partir de outubro e chegar em fevereiro com mais folga.

Bruno Carneiro

Por Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

13 de agosto de 20267 min de leituraMétodo

Dezembro e janeiro são os meses mais puxados do ano pra muita gente. Tem festa, presente, às vezes viagem, e logo em seguida chegam contas grandes de uma vez. É comum começar o ano no aperto por causa disso, e um pouco de planejamento a partir de outubro alivia bastante.

Esse texto é pra quem quer chegar em fevereiro mais tranquilo. Ele divide o fim de ano em quatro partes: o 13º, os presentes, a viagem e as contas de janeiro. Nem todas vão valer pra você (nem todo mundo recebe 13º, tem carro ou paga escola), então fique com as que fazem sentido na sua casa.

O fim de ano dura quatro meses.

É natural pensar só em dezembro: a lista de presentes, a ceia, se vai viajar ou não. O que costuma pegar de surpresa é janeiro, quando várias contas anuais vencem quase juntas. Sem uma folga guardada, elas acabam indo pro cartão e se somam aos gastos normais dos meses seguintes.

Olhar o período de outubro a janeiro como um bloco só ajuda a distribuir esse peso.

Parte 1: o 13º, pra quem recebe.

O 13º vem fora do ritmo normal do salário, e por isso a gente tende a tratar como dinheiro extra. O Dan Ariely, em Previsivelmente Irracional, fala desse efeito: a cabeça separa o dinheiro em caixinhas, e a caixinha do “extra” costuma ser gasta com menos planejamento. Não tem nada de errado em aproveitar, e ajuda decidir antes pra onde ele vai.

Uma divisão que funciona pra muita gente é meio a meio: metade pro futuro (reserva, dívida, contas de janeiro) e metade pro presente (festa, presentes, descanso). Se você tem uma dívida cara, como rotativo do cartão ou cheque especial, usar uma parte maior pra reduzir essa dívida costuma ser o que mais alivia os meses seguintes, porque os juros dessas linhas são os mais altos do país.

Se você trabalha por conta própria e não tem 13º, dá pra criar o seu, guardando um pouco por mês ao longo do ano. Em outubro, vale pelo menos anotar quanto dezembro e janeiro vão pedir.

Parte 2: presentes com lista e valor.

Escreva os nomes de quem você quer presentear e um valor por pessoa. A soma é o seu orçamento de presentes. Com o número definido, fica mais fácil aproveitar promoções sem perder a conta, porque você sabe quanto ainda tem.

O valor é o que cabe pra você. Uma lembrança escolhida com carinho, um amigo secreto com teto combinado ou um presente feito em casa cumprem o mesmo papel.

Parte 3: viagem, se houver, comprada com antecedência.

Passagem e hospedagem ficam bem mais caras na alta temporada, e os preços sobem conforme dezembro se aproxima. Quem consegue comprar com alguns meses de antecedência costuma pagar menos.

Se não deu pra comprar cedo, uma alternativa é viajar depois da primeira quinzena de janeiro ou fora das férias escolares, quando os preços caem e os destinos ficam mais vazios. E ficar em casa descansando também é um ótimo fim de ano.

Parte 4: as contas de janeiro.

Janeiro concentra várias despesas anuais. Quais delas aparecem depende da sua vida: imposto do carro, imposto do imóvel, material escolar, renovação de seguro, reajuste de plano. A tabela abaixo é um exemplo, com valores só pra ilustrar a soma.

Exemplo de contas que podem cair em janeiro

  • IPVA

    Pra quem tem veículo. Costuma ter desconto na cota única

    R$ 1.800

  • IPTU

    Pago pelo dono ou pelo inquilino, conforme o contrato

    R$ 1.200

  • Material escolar e matrícula

    Material, uniforme e taxas

    R$ 1.500

  • Seguro na renovação

    Quando o vencimento cai no começo do ano

    R$ 2.400

Neste exemplo, a soma passa de R$ 6.900. A sua lista pode ter uma linha só ou valores bem menores. Vale montar a sua pra ver o total com antecedência.

Um bolso separado pra janeiro.

O que eu sugiro é somar as contas de janeiro que valem pra você e dividir o total pelos meses que faltam. Esse é o valor a guardar por mês, num lugar separado, com nome próprio. É diferente da reserva de emergência: você já sabe quando e pra que vai usar.

Com o dinheiro guardado, dá pra aproveitar o desconto da cota única nos impostos, quando houver. Se o valor não fechar, parcelar o IPVA ou o IPTU direto com o governo costuma sair mais barato do que colocar no cartão.

Um calendário simples.

Onde a Fyn8 entra.

A tela de Planejamento da Fyn8 mostra os próximos meses juntando o que já aconteceu com o que está previsto. Cadastrando o IPVA, o IPTU e o seguro no mês em que vencem, janeiro aparece com o total bem antes de chegar, e dá pra decidir com calma entre pagar à vista, parcelar ou ir guardando. Uma folha com as contas e as datas resolve o mesmo problema.

Ainda dá tempo, em qualquer mês.

O fim de ano pesa menos quando é visto como um período de quatro meses, com as contas de janeiro na conta desde outubro. Mesmo que você esteja lendo isso em dezembro, dá pra fazer a parte que ainda cabe e deixar um lembrete pro ano que vem.

Se quiser um primeiro passo, anote as contas grandes que vencem pra você entre dezembro e janeiro, com o valor aproximado de cada uma. Ver a soma já ajuda a decidir o resto.

Referências

  1. Como Organizar Sua Vida Financeira. Gustavo Cerbasi, 2012.
  2. Me Poupe!. Nathalia Arcuri, 2018.
  3. Do Mil ao Milhão. Thiago Nigro, 2018.
  4. A Psicologia Financeira. Morgan Housel, 2020.
  5. Previsivelmente Irracional. Dan Ariely, 2008.
  6. Décimo terceiro salário: prazos de pagamento (Lei nº 4.749/1965). Ministério do Trabalho e Emprego.

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Bruno Carneiro

Escrito por

Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

Fyn8 — Finanças pessoais

Um começo simples: entender o próprio mês.

Cria a conta, lança algumas transações e o extrato começa a fazer sentido no mesmo dia.