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A regra 50/30/20 sem enrolação.

A regra mais conhecida de orçamento tem uma origem pouco contada. De onde ela veio, como fazer a conta com a sua renda e por que ela funciona melhor como bússola do que como meta rígida.

Bruno Carneiro

Por Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

13 de agosto de 20266 min de leituraFundamentos

A regra 50/30/20 é provavelmente a mais conhecida das finanças pessoais: metade da renda pro essencial, 30% pra qualidade de vida e 20% pro futuro. Ela é simples de propósito. E no Brasil, pra muita gente, os números reais ficam bem longe disso, o que não tira a utilidade dela.

Esse texto conta de onde a regra veio, mostra como fazer a conta com qualquer renda e explica por que ela serve mais pra enxergar do que pra cobrar. Se o seu essencial passa dos 50%, você está em boa companhia, e isso diz mais sobre o custo de vida do que sobre você.

A origem é pouco conhecida. A regra veio do livro All Your Worth: The Ultimate Lifetime Money Plan, publicado em 2005 por Elizabeth Warren, hoje senadora dos Estados Unidos, na época professora da faculdade de Direito de Harvard, em coautoria com a filha Amelia Warren Tyagi.

Warren pesquisava falências pessoais americanas há mais de uma década e percebeu que a maioria das famílias endividadas tinha um problema em comum: comprometia demais o essencial. Aluguel, financiamento, plano de saúde e dívida somavam 65%, 70%, 80% da renda. Não sobrava margem pro presente nem pro futuro, e qualquer imprevisto virava dívida. A regra nasceu como uma forma simples de enxergar essa proporção.

A regra em três partes.

A ideia é dividir a renda líquida em três grupos. Não precisa de precisão de contador. O que interessa é a proporção.

50% pro essencial.

O que, se você não pagar, sua vida trava. Aluguel ou financiamento, condomínio, mercado, transporte pra trabalho, luz, água, internet, plano de saúde, escola do filho se tiver. É o piso da sua existência material.

30% pra qualidade de vida.

O que faz o mês valer a pena viver. Sair pra jantar, viagem, roupa, streaming, hobby, corte de cabelo, presentes, aquela coisa que você quer e não precisa. Sem culpa. É o combustível do dia a dia.

20% pro futuro.

Reserva de emergência, investimento, aposentadoria, quitação de dívida cara. É a parte que cria folga pros próximos anos. Quando ela não cabe, tudo bem começar com um percentual menor.

A conta com a sua renda.

A conta é uma multiplicação. Pegue o que você recebe líquido no mês e multiplique por 0,5, por 0,3 e por 0,2. Alguns exemplos:

Exemplos de conta (troque pela sua renda)

  • Renda líquida de R$ 1.800

    50% / 30% / 20%

    R$ 900 · 540 · 360

  • Renda líquida de R$ 3.000

    50% / 30% / 20%

    R$ 1.500 · 900 · 600

  • Renda líquida de R$ 5.000

    50% / 30% / 20%

    R$ 2.500 · 1.500 · 1.000

  • Renda líquida de R$ 8.000

    50% / 30% / 20%

    R$ 4.000 · 2.400 · 1.600

Em rendas mais baixas, é comum o essencial sozinho passar de 50%, porque aluguel e mercado não diminuem na mesma proporção. Nesse caso a regra serve pra enxergar, e as proporções podem ser outras.

Bússola, não trilho.

Essa é a parte mais importante. A regra funciona como bússola: mostra a direção, sem exigir que você esteja no ponto exato. Estar em 60/30/10 ou em 70/20/10 não é um erro. É um retrato do seu momento.

O valor está em saber. Com os três percentuais na mão, você consegue decidir o que quer mexer, se quiser e quando puder. Sem eles, fica só a sensação de que o dinheiro não dá.

Quando o essencial passa dos 50%.

Se a sua conta mostrou o essencial em 65% ou mais, costuma ser por um destes três motivos. Nenhum deles tem solução rápida, e nem sempre há o que mudar agora. Vale conhecer as opções.

Cortar gastos pequenos ajuda, mas costuma mover pouco a proporção. O que mais muda a conta são esses três grupos e, quando aparece a oportunidade, um aumento de renda. São mudanças de médio prazo, e saber onde está o peso já é metade do caminho.

Variações que valem conhecer.

O Ramit Sethi propõe uma variação moderna chamada Conscious Spending Plan, com quatro baldes em vez de três: 50 a 60% essenciais, 5 a 10% investimento, 5 a 10% metas de curto prazo, 20 a 35% gastos livres sem culpa. A ideia central é a mesma: olhar a proporção antes do detalhe.

O Dave Ramsey, nos Estados Unidos, tem o método “Every Dollar”, mais estrito: cada real do salário recebe um destino antes do mês começar. É a mesma lógica, com mais detalhe.

O George S. Clason, no livro O Homem Mais Rico da Babilônia de 1926, já dizia em versão minimalista: “uma parte de tudo o que ganho é minha pra guardar”. Ele sugeria 10%. O 50/30/20 é uma evolução moderna do mesmo princípio.

Onde a Fyn8 entra.

A parte trabalhosa da regra é somar os gastos por grupo. Na Fyn8, os lançamentos já ficam categorizados e o mês aparece com o total de cada categoria, então basta juntar em três grupos pra ter as suas proporções. No plano Premium, dá pra perguntar ao Fyn, o assistente, sobre os seus números do mês. Com o extrato do banco e uma calculadora, a conta sai do mesmo jeito.

O seu retrato, sem nota.

A 50/30/20 é uma régua simples pra olhar o mês: quanto vai pro que é necessário, quanto vai pro que dá prazer e quanto vai pro futuro. As proporções ideais do livro são um ponto de referência, e as suas dependem da sua renda, da sua cidade e da sua fase de vida.

Se quiser fazer o exercício, pegue os gastos do último mês e separe nos três grupos. Qualquer que seja o resultado, você passa a saber onde está, e é daí que as decisões ficam mais fáceis.

Referências

  1. All Your Worth: The Ultimate Lifetime Money Plan. Elizabeth Warren & Amelia Warren Tyagi, 2005.
  2. I Will Teach You to Be Rich. Ramit Sethi, 2009.
  3. O Homem Mais Rico da Babilônia. George S. Clason, 1926.
  4. Do Mil ao Milhão. Thiago Nigro, 2018.
  5. Como Organizar Sua Vida Financeira. Gustavo Cerbasi, 2012.

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Bruno Carneiro

Escrito por

Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

Fyn8 — Finanças pessoais

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