Método

Dívida cara: como sair do rotativo, cheque especial e empréstimo pessoal.

As dívidas no Brasil têm custos muito diferentes entre si, do rotativo do cartão ao consignado. Entender essa diferença e seguir uma ordem ajuda mais do que força de vontade. Um passo a passo, sem julgamento.

Bruno Carneiro

Por Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

13 de agosto de 20269 min de leituraMétodo

Entrar no rotativo do cartão ou no cheque especial acontece com muita gente, quase sempre num mês em que as contas não fecharam. O difícil é que esses são os créditos mais caros do país, e a dívida cresce rápido. A boa notícia é que existe um caminho pra sair, e ele depende mais de ordem do que de sacrifício.

Esse texto é pra quem está com uma dívida cara agora, ou quer ajudar alguém que está. Não tem bronca aqui. Tem a explicação de por que algumas dívidas pesam tanto mais que outras e cinco passos, em ordem, pra diminuir esse peso. Cada situação é diferente, então pega o que fizer sentido pra sua.

As dívidas não custam a mesma coisa.

Pouca gente aprende isso na escola, mas o custo de uma dívida muda muito conforme o tipo. Saber onde a sua está nessa escada é o que define por onde começar. Do mais caro pro menos caro:

Taxas médias aproximadas no Brasil (Banco Central e Anefac, 2024)

  • Rotativo do cartão

    O mais caro. Primeiro a resolver.

    ~400% a.a.

  • Cheque especial

    Segundo mais caro.

    ~160% a.a.

  • Empréstimo pessoal

    Bem mais barato que os dois acima.

    ~60% a.a.

  • Consignado (público ou privado)

    Desconto em folha, limitado a 35% da renda.

    ~25% a.a.

  • Financiamento imobiliário

    O mais barato, com o imóvel como garantia.

    ~11% a.a.

As taxas mudam de banco pra banco e de mês pra mês. Confira a sua no contrato ou no aplicativo.

Um detalhe que alivia um pouco: desde janeiro de 2024, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar de 100% do valor original da dívida. Ou seja, a dívida pode no máximo dobrar. Ainda é muito, mas existe um teto.

Passo 1: cuidar primeiro da dívida mais cara.

Se você está no rotativo ou no cheque especial, vale tratar isso como a prioridade financeira do momento. Investimento, viagem e curso podem esperar um pouco, e o motivo é só a conta.

Um investimento conservador rende perto da taxa básica de juros, e mesmo os mais arriscados ficam muito longe do que o rotativo cobra. Enquanto a dívida cara existe, cada real colocado nela “rende” mais do que renderia em qualquer aplicação. Quitar primeiro é a decisão que mais devolve dinheiro pro seu mês.

Passo 2: trocar a dívida cara por uma mais barata.

Antes de tentar quitar tudo, existe um movimento mais rápido: trocar a dívida por outra com juro menor. O valor devido é o mesmo, mas uma parte maior de cada pagamento passa a reduzir a dívida de fato.

Passo 3: escolher uma ordem pra pagar.

Com mais de uma dívida, ajuda decidir qual recebe o dinheiro extra primeiro. Existem dois métodos conhecidos, e os dois funcionam. A diferença está em como cada pessoa se sente no caminho.

Bola de neve.

Ficou conhecido pelo Dave Ramsey, em The Total Money Makeover (2003). Você lista as dívidas do menor pro maior valor, paga o mínimo de todas e coloca o que sobrar na menor. Quando ela acaba, o valor que ia pra ela passa pra próxima.

A vantagem é ver uma dívida sumir logo, o que dá ânimo pra continuar. O custo é pagar um pouco mais de juro no total, porque nem sempre a menor é a mais cara.

Avalanche.

Aqui a lista vai do maior pro menor juro. Você paga o mínimo de todas e coloca o extra na de juro mais alto. É o caminho que paga menos juro no total. Em compensação, a primeira quitação pode demorar, e tem gente que desanima sem ver uma dívida encerrada.

Passo 4: negociar.

Banco negocia dívida atrasada, e descontos grandes são comuns. Não é favor: pro banco, receber uma parte costuma ser melhor do que não receber. Por isso vale perguntar sempre, sem constrangimento.

Mutirões de renegociação (como o Serasa Limpa Nome e os mutirões da Febraban com o Banco Central e os Procons) acontecem algumas vezes por ano, e é neles que costumam aparecer as melhores propostas.

Passo 5: segurar novas dívidas enquanto paga as antigas.

Essa é a parte mais difícil, porque o motivo que levou à dívida muitas vezes continua lá. Enquanto você está quitando, ajuda reduzir o uso do crédito. Tem gente que guarda o cartão numa gaveta por um tempo, tem gente que baixa o limite no aplicativo. Vale o que funcionar pra você.

É uma fase, e passa. Quando as dívidas caras acabarem, o cartão volta a ser só um meio de pagamento.

Onde a Fyn8 entra.

O que mais ajuda nesse processo é enxergar o todo. Na Fyn8 você cadastra cada parcela como recorrência e vê quanto do mês já está comprometido, projeta os próximos meses pra saber quando cada dívida termina e pode criar uma meta com prazo pra acompanhar o saldo caindo. Uma lista num caderno resolve o mesmo problema, se for o que você tem à mão.

Um mês de cada vez.

Sair de uma dívida cara leva tempo, e tudo bem. O que os cinco passos fazem é garantir que o esforço de cada mês renda o máximo: primeiro a mais cara, juro menor sempre que der, uma ordem clara, negociação e menos crédito novo no caminho.

Se você quiser começar por uma coisa só, escreva num papel cada dívida, o valor e a taxa de juros. Só de ver a lista completa, muita gente já descobre qual é o primeiro telefonema a dar. E se o aperto estiver grande demais, os Procons e os núcleos de apoio ao superendividado atendem de graça.

Referências

  1. Estatísticas monetárias e de crédito: taxas de juros por modalidade. Banco Central do Brasil.
  2. Lei nº 14.690 e Resolução CMN nº 5.112 (teto de juros do rotativo). Presidência da República e Conselho Monetário Nacional, 2023.
  3. The Total Money Makeover. Dave Ramsey, 2003.
  4. The 9 Steps to Financial Freedom. Suze Orman, 1997.
  5. Previsivelmente Irracional. Dan Ariely, 2008.
  6. Me Poupe!. Nathalia Arcuri, 2018.
  7. Como Organizar Sua Vida Financeira. Gustavo Cerbasi, 2012.

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Bruno Carneiro

Escrito por

Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

Fyn8 — Finanças pessoais

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