Método

Meta com prazo: do “quero juntar” pro plano.

“Quero juntar dinheiro” é um ótimo começo. Pra virar plano, faltam quatro números: quanto, quando, quanto por mês e onde guardar. Aqui vai o método SMART aplicado a dinheiro, com a origem dele e um exemplo completo.

Bruno Carneiro

Por Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

13 de agosto de 20267 min de leituraMétodo

“Quero juntar dinheiro pra viajar.” Quase todo plano começa com uma frase assim, e ela é um ótimo começo. O que costuma faltar pra ela sair do lugar são quatro números. Com eles, o desejo ganha data e valor, e fica muito mais fácil de acompanhar.

Esse texto é pra quem tem um objetivo em mente (uma viagem, uma reserva, um curso, a entrada de um imóvel) e quer transformar isso em algo concreto. Vou contar de onde vem a ideia de meta com prazo, mostrar os quatro números com um exemplo e falar de como ajustar quando a meta não cabe no mês. Os valores do exemplo são só ilustração. O método é igual pra R$ 500 ou R$ 50 mil.

De onde vem essa história de meta “com prazo”.

A ideia nasceu no mundo das empresas. Peter Drucker, em The Practice of Management (1954), defendeu que o trabalho rende mais quando o objetivo é definido com clareza antes de se discutir o caminho. Ficou conhecido como gestão por objetivos.

Anos depois, em 1981, o consultor George T. Doran publicou na revista Management Review um artigo curto chamado There’s a S.M.A.R.T. Way to Write Management’s Goals and Objectives. Ele propunha cinco critérios pra uma meta bem escrita:

Framework SMART · Doran, 1981

  • S (Specific)

    Específica, com contorno claro.

    01

  • M (Measurable)

    Mensurável em número.

    02

  • A (Achievable)

    Alcançável na sua realidade.

    03

  • R (Relevant)

    Relevante pra você, agora.

    04

  • T (Time-bound)

    Com prazo definido.

    05

O artigo original tinha essas cinco letras. Versões mais recentes mudam algumas palavras, mas a ideia é a mesma.

Doran escreveu pensando em gestão de empresas. Com o tempo, a mesma lógica passou a ser usada em finanças pessoais, e hoje aparece em boa parte dos livros sobre o assunto, porque ajuda de verdade.

Os quatro números de uma meta financeira.

Adaptando o SMART pra dinheiro, eu resumo em quatro números. Não precisa acertar todos de primeira. O exercício de tentar preencher já mostra muita coisa.

Número 1. Quanto.

Em vez de “uma viagem”, um valor: por exemplo, R$ 12.000 pra 15 dias no Chile. Se você ainda não sabe o número, vale pesquisar passagem, hospedagem e gastos do dia a dia. Uma estimativa já serve, e dá pra corrigir depois.

Número 2. Quando.

Em vez de “algum dia”, um mês e um ano: setembro de 2027, por exemplo. A data é o que permite dividir o valor em partes e saber, a cada mês, se você está perto ou longe.

Número 3. Quanto por mês.

Aqui é só dividir. R$ 12.000 em 24 meses dá R$ 500 por mês. Se esse valor não cabe no seu orçamento hoje, existem três ajustes possíveis: alongar o prazo (em 48 meses, R$ 250 por mês), reduzir o valor (uma viagem de R$ 8.000 dá R$ 333 por mês) ou abrir espaço em outro gasto.

Às vezes nenhum dos três resolve, e isso é uma informação valiosa. Quer dizer que a meta, do jeito que está, não cabe neste momento, e que talvez faça sentido começar por uma menor. Descobrir isso no papel é bem melhor do que se frustrar no meio do caminho.

Número 4. Onde.

Dinheiro de meta costuma durar mais quando fica separado do dinheiro do dia a dia, porque na conta corrente os dois se misturam. Pra prazos curtos, de até uns dois anos, opções com resgate rápido e baixo risco, como Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária, costumam servir bem. Pra prazos longos, existem títulos como o Tesouro IPCA+. Uma caixinha separada no banco também resolve. O que importa é ter um lugar só pra isso.

Escrita assim, basta olhar uma vez por mês pra saber como está. Se o aporte entrou, ótimo. Se não entrou, você ajusta um dos quatro números e segue.

Por que é difícil escrever.

Se é simples, por que tanta gente deixa a meta só na cabeça? Eu vejo dois motivos, e os dois são bem humanos.

O primeiro é que escrever mostra o tamanho do esforço. “Quero viajar” não pede nada de você. “R$ 500 por mês por 24 meses” é um compromisso, e dá um certo medo descobrir que ele talvez não caiba. É compreensível preferir o sonho vago.

O segundo é o que o Ramit Sethi chama de Rich Life: saber o que você quer de verdade. Essa pergunta é mais difícil do que parece, e ninguém é obrigado a ter a resposta pronta. Vale dar um tempo pra ela.

Dois cuidados no caminho.

Uma revisão a cada três meses.

A vida muda, e a meta pode mudar junto. O Michael Hyatt, em Your Best Year Ever (2018), sugere uma revisão trimestral: tempo suficiente pra ver progresso e curto o bastante pra corrigir a rota.

São uns 20 minutos e três perguntas. Estou no ritmo? A meta ainda faz sentido pra minha vida? Preciso mexer em algum dos quatro números? Mudar o prazo ou o valor faz parte do método, não é desistir.

Se a meta é de duas pessoas.

Quando a meta é dividida com alguém, entra uma conversa antes da conta. Uma pessoa pode querer a entrada de um imóvel, a outra um período sabático. O Gustavo Cerbasi, em Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (2004), dedica um capítulo a isso, e a sugestão dele é conversar primeiro sobre o que cada um valoriza. Os números vêm depois, e ficam bem mais fáceis.

Onde a Fyn8 entra.

Na Fyn8, os objetivos têm exatamente esses campos: valor, prazo e a conta onde o dinheiro fica. A cada aporte, a barra de progresso anda, e você vê quanto falta e se o ritmo está de acordo com a data. Uma folha colada na geladeira cumpre o mesmo papel. O importante é a meta estar escrita em algum lugar que você veja.

Uma folha, quatro linhas.

Uma meta com prazo é só um desejo com quatro números ao lado: quanto, quando, quanto por mês e onde. Eles não garantem que tudo vai sair como planejado, mas mostram todo mês onde você está e o que dá pra ajustar.

Se quiser experimentar, escolha um objetivo e tente preencher as quatro linhas. Se algum número ficar em branco, não tem problema. Agora você sabe qual é a próxima coisa a descobrir.

Referências

  1. There’s a S.M.A.R.T. Way to Write Management’s Goals and Objectives. George T. Doran · Management Review, 1981.
  2. The Practice of Management. Peter Drucker, 1954.
  3. I Will Teach You to Be Rich. Ramit Sethi, 2009.
  4. Seu Dinheiro ou Sua Vida. Vicki Robin & Joe Dominguez, 1992.
  5. Your Best Year Ever. Michael Hyatt, 2018.
  6. Casais Inteligentes Enriquecem Juntos. Gustavo Cerbasi, 2004.
  7. Tesouro Direto: títulos e rentabilidade. Tesouro Nacional.

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Bruno Carneiro

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Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

Fyn8 — Finanças pessoais

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Cria a conta, lança algumas transações e o extrato começa a fazer sentido no mesmo dia.