Investir parece complicado visto de fora. São muitas siglas, muita gente prometendo ganho rápido e a sensação de que todo mundo já sabe algo que você não sabe. Na prática, o começo é simples e cabe em valores pequenos. Esse texto mostra o caminho mais comum, um degrau por vez.
Ele é pra quem nunca investiu, pra quem sempre deixou o dinheiro na poupança (que é um começo válido) e pra quem já tentou alguma coisa e ficou com dúvida. Vou explicar o que é cada tipo de investimento, em que ordem as pessoas costumam conhecê-los e por que o tempo importa tanto.
Um aviso: isso é educação financeira, e não recomendação. Nenhum investimento tem ganho garantido, e a decisão do que serve pra você depende dos seus objetivos e do seu momento.
Antes de tudo: a reserva de emergência.
O primeiro degrau costuma ser uma reserva pra imprevistos. O motivo é prático: sem ela, um susto obriga a resgatar um investimento no pior momento, às vezes com perda ou antes do prazo.
A referência mais usada é juntar o equivalente a alguns meses do seu gasto essencial, num lugar seguro e de resgate rápido. A gente tem um texto inteiro sobre isso, com o passo a passo. Ela pode ser construída aos poucos, junto com os primeiros investimentos.
Degrau 1: Tesouro Selic.
O Tesouro Selic é, pra muita gente, a porta de entrada. É simples de entender, tem risco muito baixo e pode ser resgatado a qualquer momento.
Ele não vai fazer ninguém enriquecer de um mês pro outro, e essa é a ideia. É um lugar previsível pra guardar a reserva e pra dar os primeiros passos enquanto você aprende.
Degrau 2: outras opções de renda fixa.
Com a reserva formada, muita gente passa a conhecer a renda fixa de bancos e financeiras. Vários desses títulos têm a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que protege até R$ 250 mil por CPF em cada instituição.
Tipos de renda fixa e como funcionam
CDB
Empréstimo pra um banco. Rende um percentual do CDI. Tem cobertura do FGC. Atenção ao prazo de resgate.
Risco baixo
LCI e LCA
Parecidas com o CDB, isentas de IR pra pessoa física. Costumam ter prazo mínimo.
Risco baixo
Fundos DI
Fundos que acompanham a Selic. Vale olhar a taxa de administração.
Risco baixo
Tesouro IPCA+
Rende a inflação mais uma taxa fixa. O preço oscila antes do vencimento.
Risco médio
As condições mudam conforme o banco, o prazo e o momento da economia. Vale comparar taxa, prazo e a possibilidade de resgate antes de escolher.
Degrau 3: bolsa de valores.
A bolsa é onde ficam os investimentos que mais oscilam. No longo prazo ela pode render mais do que a renda fixa, e também pode passar anos rendendo menos. Por isso costuma ser indicada pra dinheiro que você não vai precisar tão cedo.
O gestor Peter Lynch, em One Up on Wall Street (1989), resumiu um bom princípio pra essa etapa:
“Saiba o que você tem, e por que você tem.”
— Peter Lynch
Muita gente começa pela bolsa com fundos de índice, os ETFs. Com uma compra só, você passa a ter um pedacinho de dezenas ou centenas de empresas, com custo baixo. Isso dilui o risco de depender de uma empresa só.
Ações individuais pedem mais estudo. O teste do Lynch ajuda: se você consegue explicar pra um amigo o que a empresa faz e como ela ganha dinheiro, já tem uma base. Em qualquer caso, ver o preço cair faz parte, e ninguém sabe ao certo como vai reagir até acontecer. Começar com pouco é uma forma de se conhecer.
A ordem mais comum.
1. Reserva de emergência
Em algo seguro e de resgate rápido
Segurança
2. Renda fixa
CDB, LCI, LCA, Tesouro IPCA+
Base
3. Fundos de índice (ETFs)
Várias empresas numa compra só
Longo prazo
4. Ações individuais
De empresas que você estudou
Mais estudo
5. Criptoativos e outros
Oscilam muito. Só com dinheiro que pode ficar parado
Risco alto
Essa sequência vai do mais previsível ao menos previsível. Muita gente fica nos dois primeiros degraus a vida toda, e está tudo certo.
Por que o tempo importa tanto.
Nos juros compostos, o rendimento de um mês passa a render também nos meses seguintes. No começo o efeito é quase invisível. Depois de muitos anos, ele pesa mais do que o valor investido.
Isso não quer dizer que quem começa mais tarde perdeu a chance. Quer dizer só que o melhor momento pra começar é quando der, com o valor que couber, e que constância vale mais do que acertar o investimento perfeito.
Guardar primeiro, gastar depois.
Uma ideia antiga ajuda na constância. Ela aparece em O Homem Mais Rico da Babilônia, de George Clason (1926), como “pague-se primeiro”, e é atribuída também a Warren Buffett: em vez de guardar o que sobra no fim do mês, separar um valor assim que o dinheiro entra e viver com o restante.
O valor pode ser pequeno. O que faz diferença é ele sair antes, de preferência de forma automática, pra não depender de lembrar. E em meses apertados, tudo bem reduzir ou pausar.
Pra continuar aprendendo.
O site do Tesouro Direto e o portal de educação da CVM têm material gratuito e confiável pra iniciantes. Entre os livros brasileiros, Do Mil ao Milhão, do Thiago Nigro, é um passo a passo com produtos daqui. E quem se interessar por ações que pagam dividendos vai encontrar bastante conteúdo do investidor Luiz Barsi Filho, conhecido pelo método BESST (bancos, energia, saneamento, seguros e telecomunicações).
Onde a Fyn8 entra.
A Fyn8 não vende investimento nem indica o que comprar. Ela ajuda na parte de acompanhar: você registra os aportes, vê o patrimônio de todas as contas e corretoras somado num lugar só e pode criar um objetivo pra reserva ou pro longo prazo. Assim fica fácil ver se a constância está acontecendo.
Começar pequeno já é começar.
Ninguém precisa entender tudo antes de dar o primeiro passo. A reserva vem primeiro, a renda fixa dá a base, e a bolsa pode entrar mais tarde, se e quando fizer sentido pra você. O conhecimento vai chegando com a prática.
Se quiser um primeiro passo, abra o aplicativo do banco que você já usa e veja quais opções de renda fixa com resgate diário ele oferece e quanto cada uma rende. Só olhar já ensina, e não compromete nada.
Referências
- Tesouro Direto: conheça os títulos. Tesouro Nacional.
- Garantia ordinária do FGC. Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
- Portal do Investidor. Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
- O Pequeno Livro do Investimento de Bom Senso. John C. Bogle, 2007.
- One Up on Wall Street. Peter Lynch, 1989.
- O Homem Mais Rico da Babilônia. George S. Clason, 1926.
- Do Mil ao Milhão. Thiago Nigro, 2018.
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Escrito por
Bruno Carneiro
Fundador da Fyn8
Fyn8 — Finanças pessoais
Um começo simples: entender o próprio mês.
Cria a conta, lança algumas transações e o extrato começa a fazer sentido no mesmo dia.