Investimento

Começando a investir do zero.

Pra quem nunca investiu ou sempre deixou o dinheiro na poupança. O que é cada tipo de investimento, a ordem em que as pessoas costumam conhecê-los e por que o tempo importa. Sem promessa de ganho rápido.

Bruno Carneiro

Por Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

13 de agosto de 202610 min de leituraInvestimento

Investir parece complicado visto de fora. São muitas siglas, muita gente prometendo ganho rápido e a sensação de que todo mundo já sabe algo que você não sabe. Na prática, o começo é simples e cabe em valores pequenos. Esse texto mostra o caminho mais comum, um degrau por vez.

Ele é pra quem nunca investiu, pra quem sempre deixou o dinheiro na poupança (que é um começo válido) e pra quem já tentou alguma coisa e ficou com dúvida. Vou explicar o que é cada tipo de investimento, em que ordem as pessoas costumam conhecê-los e por que o tempo importa tanto.

Um aviso: isso é educação financeira, e não recomendação. Nenhum investimento tem ganho garantido, e a decisão do que serve pra você depende dos seus objetivos e do seu momento.

Antes de tudo: a reserva de emergência.

O primeiro degrau costuma ser uma reserva pra imprevistos. O motivo é prático: sem ela, um susto obriga a resgatar um investimento no pior momento, às vezes com perda ou antes do prazo.

A referência mais usada é juntar o equivalente a alguns meses do seu gasto essencial, num lugar seguro e de resgate rápido. A gente tem um texto inteiro sobre isso, com o passo a passo. Ela pode ser construída aos poucos, junto com os primeiros investimentos.

Degrau 1: Tesouro Selic.

O Tesouro Selic é, pra muita gente, a porta de entrada. É simples de entender, tem risco muito baixo e pode ser resgatado a qualquer momento.

Ele não vai fazer ninguém enriquecer de um mês pro outro, e essa é a ideia. É um lugar previsível pra guardar a reserva e pra dar os primeiros passos enquanto você aprende.

Degrau 2: outras opções de renda fixa.

Com a reserva formada, muita gente passa a conhecer a renda fixa de bancos e financeiras. Vários desses títulos têm a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que protege até R$ 250 mil por CPF em cada instituição.

Tipos de renda fixa e como funcionam

  • CDB

    Empréstimo pra um banco. Rende um percentual do CDI. Tem cobertura do FGC. Atenção ao prazo de resgate.

    Risco baixo

  • LCI e LCA

    Parecidas com o CDB, isentas de IR pra pessoa física. Costumam ter prazo mínimo.

    Risco baixo

  • Fundos DI

    Fundos que acompanham a Selic. Vale olhar a taxa de administração.

    Risco baixo

  • Tesouro IPCA+

    Rende a inflação mais uma taxa fixa. O preço oscila antes do vencimento.

    Risco médio

As condições mudam conforme o banco, o prazo e o momento da economia. Vale comparar taxa, prazo e a possibilidade de resgate antes de escolher.

Degrau 3: bolsa de valores.

A bolsa é onde ficam os investimentos que mais oscilam. No longo prazo ela pode render mais do que a renda fixa, e também pode passar anos rendendo menos. Por isso costuma ser indicada pra dinheiro que você não vai precisar tão cedo.

O gestor Peter Lynch, em One Up on Wall Street (1989), resumiu um bom princípio pra essa etapa:

“Saiba o que você tem, e por que você tem.”

— Peter Lynch

Muita gente começa pela bolsa com fundos de índice, os ETFs. Com uma compra só, você passa a ter um pedacinho de dezenas ou centenas de empresas, com custo baixo. Isso dilui o risco de depender de uma empresa só.

Ações individuais pedem mais estudo. O teste do Lynch ajuda: se você consegue explicar pra um amigo o que a empresa faz e como ela ganha dinheiro, já tem uma base. Em qualquer caso, ver o preço cair faz parte, e ninguém sabe ao certo como vai reagir até acontecer. Começar com pouco é uma forma de se conhecer.

A ordem mais comum.

  • 1. Reserva de emergência

    Em algo seguro e de resgate rápido

    Segurança

  • 2. Renda fixa

    CDB, LCI, LCA, Tesouro IPCA+

    Base

  • 3. Fundos de índice (ETFs)

    Várias empresas numa compra só

    Longo prazo

  • 4. Ações individuais

    De empresas que você estudou

    Mais estudo

  • 5. Criptoativos e outros

    Oscilam muito. Só com dinheiro que pode ficar parado

    Risco alto

Essa sequência vai do mais previsível ao menos previsível. Muita gente fica nos dois primeiros degraus a vida toda, e está tudo certo.

Por que o tempo importa tanto.

Nos juros compostos, o rendimento de um mês passa a render também nos meses seguintes. No começo o efeito é quase invisível. Depois de muitos anos, ele pesa mais do que o valor investido.

Isso não quer dizer que quem começa mais tarde perdeu a chance. Quer dizer só que o melhor momento pra começar é quando der, com o valor que couber, e que constância vale mais do que acertar o investimento perfeito.

Guardar primeiro, gastar depois.

Uma ideia antiga ajuda na constância. Ela aparece em O Homem Mais Rico da Babilônia, de George Clason (1926), como “pague-se primeiro”, e é atribuída também a Warren Buffett: em vez de guardar o que sobra no fim do mês, separar um valor assim que o dinheiro entra e viver com o restante.

O valor pode ser pequeno. O que faz diferença é ele sair antes, de preferência de forma automática, pra não depender de lembrar. E em meses apertados, tudo bem reduzir ou pausar.

Pra continuar aprendendo.

O site do Tesouro Direto e o portal de educação da CVM têm material gratuito e confiável pra iniciantes. Entre os livros brasileiros, Do Mil ao Milhão, do Thiago Nigro, é um passo a passo com produtos daqui. E quem se interessar por ações que pagam dividendos vai encontrar bastante conteúdo do investidor Luiz Barsi Filho, conhecido pelo método BESST (bancos, energia, saneamento, seguros e telecomunicações).

Onde a Fyn8 entra.

A Fyn8 não vende investimento nem indica o que comprar. Ela ajuda na parte de acompanhar: você registra os aportes, vê o patrimônio de todas as contas e corretoras somado num lugar só e pode criar um objetivo pra reserva ou pro longo prazo. Assim fica fácil ver se a constância está acontecendo.

Começar pequeno já é começar.

Ninguém precisa entender tudo antes de dar o primeiro passo. A reserva vem primeiro, a renda fixa dá a base, e a bolsa pode entrar mais tarde, se e quando fizer sentido pra você. O conhecimento vai chegando com a prática.

Se quiser um primeiro passo, abra o aplicativo do banco que você já usa e veja quais opções de renda fixa com resgate diário ele oferece e quanto cada uma rende. Só olhar já ensina, e não compromete nada.

Referências

  1. Tesouro Direto: conheça os títulos. Tesouro Nacional.
  2. Garantia ordinária do FGC. Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
  3. Portal do Investidor. Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
  4. O Pequeno Livro do Investimento de Bom Senso. John C. Bogle, 2007.
  5. One Up on Wall Street. Peter Lynch, 1989.
  6. O Homem Mais Rico da Babilônia. George S. Clason, 1926.
  7. Do Mil ao Milhão. Thiago Nigro, 2018.

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Bruno Carneiro

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Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

Fyn8 — Finanças pessoais

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Cria a conta, lança algumas transações e o extrato começa a fazer sentido no mesmo dia.