Casal & família

Educação financeira infantil sem drama.

Como falar de dinheiro com criança de 5 a 12 anos de um jeito leve, com qualquer orçamento. Mesada, primeira meta, primeira conta digital e onde guardar o que a família junta pra ela.

Bruno Carneiro

Por Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

19 de agosto de 20268 min de leituraCasal & família

Criança aprende sobre dinheiro muito mais pelo que vive do que pelo que escuta. Receber um valor pequeno com regularidade, juntar pra algo que ela escolheu e ver os adultos falando do assunto com naturalidade já ensina bastante. E dá pra fazer isso com qualquer orçamento.

Esse texto é pra mãe, pai, madrasta, padrasto, avó, avô ou quem cuida de uma criança de 5 a 12 anos e quer falar de dinheiro em casa de um jeito leve. Vou passar por quatro assuntos: mesada, primeira meta, primeira conta digital e onde guardar o dinheiro que a família junta pra criança. Cada família tem a sua realidade, então use como ponto de partida e adapte.

Mesada: pra que ela serve.

A mesada funciona como um treino. A criança recebe um valor fixo, por semana ou por mês, e decide o que fazer com ele. Como o valor acaba, ela começa a perceber que escolher uma coisa significa abrir mão de outra. É provavelmente a primeira decisão financeira da vida dela.

Mesada não é obrigatória, e o valor pode ser bem pequeno. Se não cabe no orçamento agora, a criança aprende a mesma coisa ajudando a comparar preços no mercado ou escolhendo entre dois itens com um valor combinado.

Como a mesada costuma mudar com a idade

  • 5 a 7 anos

    Valor pequeno, pra aprender a esperar de uma semana pra outra

    Semanal

  • 8 a 10 anos

    Começa a incluir pequenas escolhas próprias

    Semanal ou quinzenal

  • 11 a 12 anos

    Pode incluir um gasto do dia a dia, como o lanche

    Mensal

O valor depende do orçamento da família, e não existe um certo. O que mais ajuda é ele ser previsível.

A primeira meta.

O dinheiro ganha sentido pra criança quando tem um objetivo. Sem isso, é natural que a mesada vá embora em figurinha e doce, e tudo bem, isso também é aprendizado. Uma meta escolhida por ela, que exija juntar por algumas semanas, ensina a esperar.

Pode ser uma bicicleta, um brinquedo, um jogo, um passeio. O importante é que a meta seja da criança. O papel do adulto é acompanhar, mostrar quanto falta e, se der, deixar que ela chegue lá no tempo dela.

Como montar a meta na prática.

Peguem juntos o preço do que ela quer e dividam pelo valor que ela consegue guardar. Um brinquedo de R$ 120, guardando R$ 10 por semana, leva 12 semanas. Coloquem isso num papel na geladeira ou usem um pote transparente. Ver o dinheiro aumentar é o que mantém a vontade.

Quando a meta for alcançada, comemorem. Depois, se ela quiser, vem a próxima. É a repetição desse ciclo que ensina.

Quando pensar na primeira conta digital.

Lá pelos 10 ou 11 anos, muitas crianças começam a querer comprar coisas online, e o Pix já faz parte do vocabulário. Vários bancos digitais oferecem conta pra menores de 18 anos, aberta e acompanhada pelo responsável. Não é obrigatório nem urgente. É uma opção quando a família achar que chegou a hora.

O que vale procurar numa conta pra criança

  • Limite definido pelo responsável

    Você decide quanto entra, ela usa até acabar

    Importante

  • Acesso da criança ao saldo

    Ela aprende a olhar o extrato

    Importante

  • Aviso de gasto pro responsável

    Pra conversar depois, com tranquilidade

    Importante

  • Sem tarifa

    Existem opções gratuitas

    Importante

  • Rendimento do saldo

    Mostra que dinheiro guardado pode render

    Bônus

As condições mudam com frequência. Vale conferir tarifas e regras no site de cada banco antes de abrir.

Onde guardar o dinheiro que a família junta pra criança.

É um costume bonito abrir uma poupança quando a criança nasce, pra entregar o valor quando ela crescer. A poupança é simples, segura e muita gente começa por ela.

O ponto de atenção é que, em prazos longos como 18 anos, a poupança costuma render perto da inflação, às vezes abaixo. Por isso vale conhecer outras opções pensadas pra longo prazo, como os títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação, que garantem um ganho acima dela pra quem leva até o vencimento. Cada opção tem regras e riscos próprios, e a escolha depende do que deixa a família confortável. Guardar em qualquer uma delas já é um presente.

Três coisas que ajudam no dia a dia.

Onde a Fyn8 entra.

Criança observa como os adultos lidam com dinheiro, então ter uma rotina simples em casa já ensina. Na Fyn8 dá pra criar um objetivo com o nome que vocês quiserem, como “bicicleta da Julia” ou “férias em família”, e acompanhar a barra de progresso junto com ela. O pote transparente na estante faz o mesmo papel.

Pouco, com constância.

Falar de dinheiro com criança não pede aula nem valor alto. Pede constância: um valor previsível quando der, uma meta escolhida por ela e conversas tranquilas sobre escolhas. O resto ela aprende vendo os adultos ao redor.

Ninguém acerta tudo, e não precisa. Se quiser começar por um passo só, pergunte pra criança o que ela gostaria de comprar com o próprio dinheiro e façam juntos a conta de quanto tempo levaria.

Referências

  1. Tesouro Direto: títulos atrelados à inflação. Tesouro Nacional.
  2. The Opposite of Spoiled. Ron Lieber, 2015.
  3. Make Your Kid a Money Genius. Beth Kobliner, 2017.
  4. Cribsheet. Emily Oster, 2019.
  5. Filhos Inteligentes Enriquecem Sozinhos. Gustavo Cerbasi, 2006.
  6. Terapia Financeira. Reinaldo Domingos, 2013.
  7. Me Poupe!. Nathalia Arcuri, 2018.

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Bruno Carneiro

Escrito por

Bruno Carneiro

Fundador da Fyn8

Fyn8 — Finanças pessoais

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