Criança aprende sobre dinheiro muito mais pelo que vive do que pelo que escuta. Receber um valor pequeno com regularidade, juntar pra algo que ela escolheu e ver os adultos falando do assunto com naturalidade já ensina bastante. E dá pra fazer isso com qualquer orçamento.
Esse texto é pra mãe, pai, madrasta, padrasto, avó, avô ou quem cuida de uma criança de 5 a 12 anos e quer falar de dinheiro em casa de um jeito leve. Vou passar por quatro assuntos: mesada, primeira meta, primeira conta digital e onde guardar o dinheiro que a família junta pra criança. Cada família tem a sua realidade, então use como ponto de partida e adapte.
Mesada: pra que ela serve.
A mesada funciona como um treino. A criança recebe um valor fixo, por semana ou por mês, e decide o que fazer com ele. Como o valor acaba, ela começa a perceber que escolher uma coisa significa abrir mão de outra. É provavelmente a primeira decisão financeira da vida dela.
Mesada não é obrigatória, e o valor pode ser bem pequeno. Se não cabe no orçamento agora, a criança aprende a mesma coisa ajudando a comparar preços no mercado ou escolhendo entre dois itens com um valor combinado.
Como a mesada costuma mudar com a idade
5 a 7 anos
Valor pequeno, pra aprender a esperar de uma semana pra outra
Semanal
8 a 10 anos
Começa a incluir pequenas escolhas próprias
Semanal ou quinzenal
11 a 12 anos
Pode incluir um gasto do dia a dia, como o lanche
Mensal
O valor depende do orçamento da família, e não existe um certo. O que mais ajuda é ele ser previsível.
A primeira meta.
O dinheiro ganha sentido pra criança quando tem um objetivo. Sem isso, é natural que a mesada vá embora em figurinha e doce, e tudo bem, isso também é aprendizado. Uma meta escolhida por ela, que exija juntar por algumas semanas, ensina a esperar.
Pode ser uma bicicleta, um brinquedo, um jogo, um passeio. O importante é que a meta seja da criança. O papel do adulto é acompanhar, mostrar quanto falta e, se der, deixar que ela chegue lá no tempo dela.
Como montar a meta na prática.
Peguem juntos o preço do que ela quer e dividam pelo valor que ela consegue guardar. Um brinquedo de R$ 120, guardando R$ 10 por semana, leva 12 semanas. Coloquem isso num papel na geladeira ou usem um pote transparente. Ver o dinheiro aumentar é o que mantém a vontade.
Quando a meta for alcançada, comemorem. Depois, se ela quiser, vem a próxima. É a repetição desse ciclo que ensina.
Quando pensar na primeira conta digital.
Lá pelos 10 ou 11 anos, muitas crianças começam a querer comprar coisas online, e o Pix já faz parte do vocabulário. Vários bancos digitais oferecem conta pra menores de 18 anos, aberta e acompanhada pelo responsável. Não é obrigatório nem urgente. É uma opção quando a família achar que chegou a hora.
O que vale procurar numa conta pra criança
Limite definido pelo responsável
Você decide quanto entra, ela usa até acabar
Importante
Acesso da criança ao saldo
Ela aprende a olhar o extrato
Importante
Aviso de gasto pro responsável
Pra conversar depois, com tranquilidade
Importante
Sem tarifa
Existem opções gratuitas
Importante
Rendimento do saldo
Mostra que dinheiro guardado pode render
Bônus
As condições mudam com frequência. Vale conferir tarifas e regras no site de cada banco antes de abrir.
Onde guardar o dinheiro que a família junta pra criança.
É um costume bonito abrir uma poupança quando a criança nasce, pra entregar o valor quando ela crescer. A poupança é simples, segura e muita gente começa por ela.
O ponto de atenção é que, em prazos longos como 18 anos, a poupança costuma render perto da inflação, às vezes abaixo. Por isso vale conhecer outras opções pensadas pra longo prazo, como os títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação, que garantem um ganho acima dela pra quem leva até o vencimento. Cada opção tem regras e riscos próprios, e a escolha depende do que deixa a família confortável. Guardar em qualquer uma delas já é um presente.
Três coisas que ajudam no dia a dia.
Onde a Fyn8 entra.
Criança observa como os adultos lidam com dinheiro, então ter uma rotina simples em casa já ensina. Na Fyn8 dá pra criar um objetivo com o nome que vocês quiserem, como “bicicleta da Julia” ou “férias em família”, e acompanhar a barra de progresso junto com ela. O pote transparente na estante faz o mesmo papel.
Pouco, com constância.
Falar de dinheiro com criança não pede aula nem valor alto. Pede constância: um valor previsível quando der, uma meta escolhida por ela e conversas tranquilas sobre escolhas. O resto ela aprende vendo os adultos ao redor.
Ninguém acerta tudo, e não precisa. Se quiser começar por um passo só, pergunte pra criança o que ela gostaria de comprar com o próprio dinheiro e façam juntos a conta de quanto tempo levaria.
Referências
- Tesouro Direto: títulos atrelados à inflação. Tesouro Nacional.
- The Opposite of Spoiled. Ron Lieber, 2015.
- Make Your Kid a Money Genius. Beth Kobliner, 2017.
- Cribsheet. Emily Oster, 2019.
- Filhos Inteligentes Enriquecem Sozinhos. Gustavo Cerbasi, 2006.
- Terapia Financeira. Reinaldo Domingos, 2013.
- Me Poupe!. Nathalia Arcuri, 2018.
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Escrito por
Bruno Carneiro
Fundador da Fyn8
Fyn8 — Finanças pessoais
Um começo simples: entender o próprio mês.
Cria a conta, lança algumas transações e o extrato começa a fazer sentido no mesmo dia.